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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Primeiras Linhas #10: Little Fires Everywhere

 Sempre quis ler um livro da escritora Celeste Ng, e durante algum tempo, cada vez que entrava numa livraria, pegava no "Everything I never Told You" e lia algumas frases.

Não sei porquê mas nunca o comprei.

Até que, há algumas semanas, comecei a pegar no mais recente livro da autora "Little Fires Everywhere" [foi lançado cá em Portugal com o nome "Pequenos Fogos em Todo o Lado"].

Ainda vou muito no inicio, na página 50, mas já percebi que este é um livro sobre famílias perfeitas, que vivem numa cidade perfeita em que existem regras de como agir, estar, vestir, cuidar da casa, etc.

O livro foca duas familias: a familia Richardson, composta por 4 filhos, que vivem com os pais numa grande casa, com um jardim perfeito, com a aparência perfeita; a outra familia é composta pela mãe  Mia e filha Pearl, que vão viver para uma casinha alugada aos Richardson naquela cidade.

O livro começa logo com um grande incêndio que leva à destruição da casa dos Richardson [isto não é spoiler, é literalmente a primeira página] e vamos tendo o relato de quem estava em casa, quem não estava e lá mais para o final do capítulo temos o relato da Mia e Pearl a deixarem a cidade.

O segundo capítulo começa vários meses antes e desconfio que isto agora contará todo o sucedido até se descobrir quem pegou fogo à casa.

Assim de repente ja vejo ali um triângulo amoroso e umas filhas problemáticas e incompreendidas, um mistério sobre o verdadeiro pai de uma personagem e muita coisa que pode dar para o torto. Isto tem tudo para me interessar mas a verdade é que tenho tido que me forçar a ler.

É que este livro, na minha opinião, parece-se muitoooo com Big Little Lies da Lyanne Moriarty (que adorei). Aliás, os direitos deste livro já foram comprados para ser transformado em série que vai ter a direção da Reese Witherspoon, que também dirigiu Big Little Lies!

Não sei... que me dizem? Já leram este livro? Vai melhorar?

sábado, 21 de julho de 2018

Saturday 4 Show: Séries que todos têm (mesmo) que ver!

Esta era uma das rubricas que eu mais gostava antes do meu hiatus e acho que era também uma rubrica que reunia muita discussão e consenso por isso aqui vamos nós!

Escolhi 4 séries que eu acho que vocês têm mesmo, mesmo, mesmooooo mas MESMO que ver! De entre as 300 que acho que são incríveis e deixando de fora algumas das minhas favoritas, tentei escolher algumas recentes, menos conhecidas e todas com temporadas em 2018 (mas que pronto, podem só voltar em 2019. don't kill me, okay?!).

Então aqui vai:
 

1. "Handmaid's Tale"
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Esta série é bem conhecida mas acho que não seria justa se não a incluísse. Acho que o facto de estar nomeada para 20 Emmys diz tudo, mas acho mesmo que passa uma mensagem importante e que a forma como está filma é incrível. É bonita, mesmo (a forma como está filmada isto é). E o papelaço que todos os actores fazem?! Se tiverem estômago, porque é bem forte, não deixem de ver Handmaid's Tale.



2.  "Velvet"

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Esta série é muitoooo desconhecida. Quando aderi à Netflix comecei a procurar séries e esta foi uma das primeiras que vi. É uma série espanhola com 4 temporadas, onde entra o Miguel Angel Silvestre (o Lito de Sense8), que faz um papel delicioso. É uma série meio novela mas é super divertida. Passa-se numa loja de roupa de alta costura que tem os seus próprios ateliers e onde as histórias de amor se cruzam. Vejam!!

3. "Dark"
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"Espelho meu, espelho meu, haverá série mais what-the-fuck que eu?!" Não, Dark, não há.
Esta série também está no Netflix e é alemã. Não se deixem intimidar pela língua porque é das melhores séries que já vi. Entra na vibe de Stranger Thing mas em MUITO BOM, fala sobre viagens no tempo e como interferir no passado tem impacto no futuro. Chegamos ao fim com um nó no cérebro mas a pensar: "Bolas, isto até que faz sentido."


4. "Versailles"
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A Versailles já não é uma série nova e penso, até, que a última temporada saiu este ano. Tem estado a ter transmissão na RTP1 e está também na Netflix por isso não há razão para não irem explorar a vida de Louis XIV e da construção do seu palácio de Versailles.
Ao longo da construção deste palácio, conhecemos também o irmão do Rei - conhecido por ter sido homossexual e travesti. É interpretado pelo Alexander Vlahos que faz um papel do caraças.

E por ai, quais são as séries que vocês acham que temos todos mesmo, mesmo, mesmooooo que ver? Partilham de alguma destas?

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Opiniões #15: Call Me By Your Name

Título: Chama-me Pelo Teu Nome
Autor: André Aciman
Páginas / Ano: 248 / 2007
Descrição aqui

Este livro é uma das coisas mais incriveis que eu já li.

Andava eu meio perdida na vida e sem motivação para grande coisa, quando surge todo um burburinho em torno deste livro. Quando decidi pegar nele para o ler, confesso que ia a medo: apesar de não ter nada contra relações homossexuais, a verdade é que também nunca me tinha sentido à vontade ou com disposição para ler um livro em que existisse um casal homossexual.

Tive receio de detestar, tive receio de ser meio pornografico como tende a ser a maior parte dos filmes com casais homossexuais mas fui em frente e a verdade é que adorei.

Penso que não será necessário descrever a história e caso seja, apenas necessito dizer: são dois rapazes que se apaixonam.

A beleza deste livro é a subtileza da escrita, a poesia em cada linha. Existe uma aura de sensualidade que percorre todo o livro e as descrições das descobertas da sexualidade por parte do Elio, o narrador. Passa-se num verão e tudo decorre com a tranquilidade dos dias quentes, em Itália, em casa de dois pais que são professores e do Elio, que é um miúdo que toca piano e transcreve músicas e é inteligente de mais para os seus 17 anos.

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Depois de ler o livro, peguei no filme. Não sei se adorei ainda mais o filme por me ter encharcado em entrevistas do Timotheé Chalamet (my new love, gimme a call Timmy) e do Armie Hammer, ou se me apaixonei pelo filme realmente porque está muito bem filmado e tem umas cores e uma luz lindas de morrer.

Tal como no livro, o filme é muito subtil e sensual e nada, mas mesmo nada, pornográfico. Acho que é daquelas histórias que lemos e vemos e pensamos: de facto, isto é só amor.

E acho que muitas pessoas que estão contra relacionamentos homossexuais deviam pegar em histórias como estas e ler sem preconceitos e ver que, de facto, love is love is love is love (já dizia o Lin Manuel Miranda).
Não há nada de nojento, errado ou pecaminoso em duas pessoas que se amam.

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Ao inicio o livro é um bocadinho lento e demora até que a história nos consiga mesmo prender mas para mim, o que menos gostei, foi um capitulo que conta uma viagem a Roma que acho que não fez o menor sentido no livro e que apesar de fofi-fofi foi muito CHATA. Quem já leu o livro, certamente saberá ao que me estou a referir. Mas mesmo assim, power through, amigos porque quando os boys voltam de Roma, passam-se todos uns episódios que vos vão esborrachar o coração e que vos vão fazer chorar e ficar tipo whyyyy.

Neste ponto, ao contrário do livro, o filme não segue a história do livro até ao final e assim presenteia-nos com uma cena incrível do Timotheé Chalamet que remata o filme e que o lançou para ser o nomeado aos Oscares mais jovem em 80 anos (!!!!).

Também por não ter seguido o livro até ao fim, e graças ao Luca Guadagnino, talvez haja uma sequela in the works! Vou-vos deixar aqui o trailer para aguçar o apetite:


Não vou entrar em cenas em particular para não arruinar a experiência a ninguém mas para mim este é o melhor livro que li em 2018 (não que tenha lido muitos, né).

Deixo a minha frase favorita:

"I stopped for a second. If you remember everything, I wanted to say, and if you are really like me, then before you leave tomorrow, or when you’re just ready to shut the door of the taxi and have already said goodbye to everyone else and there’s not a thing left to say in this life, then, just this once, turn to me, even in jest, or as an afterthought, which would have meant everything to me when we were together, and, as you did back then, look me in the face, hold my gaze, and call me by your name."



p.s.: e a banda sonora? As duas músicas que o Sufjan Stevens escreveu especialmente para este filme? Para mim, mereciam ter levado o Oscar.

sábado, 14 de julho de 2018

os 7 livros de 2018

2018 não tem sido muito produtivo a nível de leituras, o que também se traduziu aqui na ausência do blog.

Deveu-se a um misto de vida profissional a acelerar, uma breve crise de motivação para todas as actividades em geral (excepção feita ao Netflix) e algumas crises a nível de relacionamentos pessoais. Verdade seja dita, apesar de ter colocado como objectivo ler 30 livros este ano (ah ah ah) ainda só li 7 e já vamos a meio do ano.

Não me preocupa muito o objectivo colocado. Importa-me mais levar as coisas com calma, encontrar equilíbrio e sobretudo ler com gosto, sem me estar a obrigar.
Como estive ausente não fiz review de nenhum dos livros que li, mas aqui vai um breve resumo das minhas leituras de 2018 (até agora):


"O Som e a Fúria", William Faulkner
Este foi o primeiro livro do ano e foi uma TRIP. Juro. É a história de uma família americana em decadência e cada capitulo - são 4 - são vistos da perspectiva de um dos membros da família. Acho que a beleza do livro está em ir descobrindo em quem narra o quê e devido a esta diferença de pontos de vista, ir descobrindo realmente o que se passou para as diversas pessoas terem opiniões diferentes sobre as mesmas personagens. Segue uma linha de escrever o presente e passado como se estivessem a acontecer naquele momento, o que se tornou, por vezes, confuso. O final e a história real em si, só se descobrem no epilogo (!!!!!) o que não deixou de ser estranho e de fazer com que passasse a história toda tipo 'what's going onnnnn'



"One of us is lying", Karen M. McManus
Devorei este livro em pouco tempo. É assim um mistério YA, passado nos EUA (where else?!) onde 5 adolescentes são castigados na escola e têm que ficar numa sala. Estes jovens são todos de grupos diferentes e durante a detention, um deles morre. O livro é uma busca de procurar quem é o culpado por esta morte e até foi engraçado... transmite mensagens mais profundas do que poderíamos achar ao vermos que é um mistério YA. Vale a pena!





"Evangelho Segundo Jesus Cristo", José Saramago
Este foi um livro que comecei ainda em 2017 e só acabei uns bons meses depois de entrar em 2018. Por um lado, demorou-me a entrar no livro, por outro lado não o queria acabar. A escrita de Saramago é deliciosa e, como sempre, este é um livro que nos faz pensar ao narrar a história de Jesus Cristo de uma forma... diferente.






"O Alquimista", Paulo Coelho
Já tinha tentando ler este Alquimista quando era mais jovem mas agora foi. Acho que é daqueles livros que cada vez que lermos, dependendo da nossa idade e da fase em que estejamos na vida, terá uma conclusão e um sentido diferentes para nós. Não diz nada que não se saiba já, mas faz-nos aperceber de que às vezes uma porta se fecha porque temos uma janela aberta que não vimos.






 
"The Book Thief", Markys Zusak
Eu tentei mas desisti. Não entendi mesmo o hype deste livro.








"O Cavaleiro de Bronze", Paullina Simmons
Ora estava eu neste impasse literário, em que nada conseguia ler e então peguei neste livro que adorei ler no ano passado. Não me alongo muito sobre ele, porque já tem opinião aqui no blog.
[Ver opinião]






"Chama-me pelo teu nome", André Aciman
O Call Me By Your Name é só o meu livro favorito até agora. O filme, o livro... tudo. Simplesmente incríveis e fizeram com que me voltasse a inspirar. Não me vou alongar, primeiro porque penso que já todos sabem do que se trata e, segundo, porque planeio escrever um post dedicado a este livro e filme.




E pronto, foram estas as minhas leituras até à data. E por ai, que andaram a ler?

sexta-feira, 13 de julho de 2018

oh to see without my eyes


voltamos?

(a tentar reanimar o blog com um teaser do próximo post!)

domingo, 3 de dezembro de 2017

Opiniões #14: A Quimica Dos Nossos Corações

Título: A Quimica dos Nossos Corações
Autor: Krystal Sutherland
Páginas / Ano: 277 / 2017
Editora: Porto Editora
Descrição aqui


Bem, acabei de ler este livro agora e nem sei bem o que pensar.

Houve uma parte de mim que gostou imenso de como se desenrolou a trama (apesar de ter sido bastantes vezes apanhada, no metro pela manhã, com expressões de dúvida sobre o que estava a ler) mas também houve uma parte de mim que gritou continuamente "Estarei demasiado crescida para YA?".

Este livro conta a história do Henry e de uma nova rapariga, a Grace, que chega à escola dele nesse ano lectivo. A Grace é desde logo uma personagem, envergando roupas de rapaz e tendo um ar desleixado estilo vivo-na-rua-e-não-tomo-banho-há-10-anos. Mas you got it, o Henry acaba por se apaixonar por esta riqueza. Penso que revelar mais que isto, é cair em spoilers por isso por aqui me fico.

A Grace é uma miúda cheia de problemas e o Henry cheio de sonhos. Acho que todos nos conseguimos relacionar um pouco com o Henry porque, no final do dia, todos gostamos de ver as pessoas da maneira como as idealizamos e a verdade é que nem sempre é assim que a realidade é. O Henry acaba por se desiludir e ficar magoado - e isto nem sequer é um spoiler, acontece para aí a partir do 2º capitulo - mas também é isto a vida, certo?

Apesar de a escrita ter sido um bocadinho dúbia por vezes (eu li na versão portuguesa, pelo que a tradução pode ter tido algum impacto) e de terem existido alguns momentos tão lamechas que parecia que o livro transpirava mel, eu até gostei do desfecho. É um final feliz sem ser aquele que costuma acontecer sempre nos livros mas que acontece, com muita frequência, na vida real.

A minha citação favorita:
"People are perfect when all that's left of them is memory."

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

citações #2

"Eu queria dizer: Tu és assim para o extraordinário; quer dizer, muitíssimo estranha mas também extraordinária, mas em vez disso disse: 
- Que pecados é que uma rapariga de 17 anos cometeu para precisar ser absolvida?"

- in A Quimica dos nossos Corações, Krystal Sutherland