Nunca fui destas coisas de participar em desafios literários - com a excepção de tentar ler tantos livros quantos os que me tinha proposto, no Goodreads - mas este ano decidi tentar algo de diferente.
Vi inumeros desafios em que gostaria de participar mas sei que iria ficar maluca a tentar chegar ao objectivo de ler tudo (eu, que sou competidora nata e gosto pouco de perder).
Por isso, optei por começar só por este desafio. É simples mas parece giro!
domingo, 21 de dezembro de 2014
domingo, 23 de novembro de 2014
E ele atravessou um comboio em hora de ponta para te ver. Não digas
que não tens sorte, Lena. Para mim não há nada disso. Nem garotos a
afastarem pessoas em comboios atarefados nem um sol que brilhe mais
quando apareço nem um sinal vermelho que feche quando quero atravessar a
rua. Para mim não há nada.
Até os pingos da chuva se afastam de mim, quando caem tão indeliberadamente. Sou imune, percebes?
Escrito num Fertagus apinhado, em hora de ponta e em dia de chuva.
Até os pingos da chuva se afastam de mim, quando caem tão indeliberadamente. Sou imune, percebes?
Escrito num Fertagus apinhado, em hora de ponta e em dia de chuva.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Hoje...sei lá...deu-me para isto! :)
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Eu e a Bia temos muitas conversas à uma da manhã, quando boa parte do mundo está a dormir---quiça, nós próprias estejamos meio adormecidas, e seja essa a razão das tiradas inspiradoras e risadas tontas que damos sozinhas, cada uma em frente ao seu ecran.
Apreciadora de citações, como eu, a Bia disse que tinha "lido num sítio qualquer" que "nós somos as conversas que temos, as pessoas que conhecemos, os sitios que vemos" e eu achei inspirador. Ela acha que é verdade e segue este lema de vida. Eu cá me pergunto com que pessoas se cruza ela, porque a Bia é aquela peça de uma colecção standart que sai meio torta, meio diferente. É única.
Se somos as pessoas que conhecemos e as conversas que temos e os sítios que vemos isso explicará muita coisa da vida. Provavelmente explica porque é que eu nunca estou calada---já tive muitas conversas---ou porque é que, ainda assim, me sei calar no momento certo e apreciar Lisboa a desembocar no Tejo. Gosto de sítios únicos e inspiradores. Tão inspiradores como a citação da Bia.
Hoje acordei e ela fez uma descoberta, descobriu qual o "sitio qualquer" onde tinha visto a frase e passou-me o paragrafo todo para eu ler. É por isso que estou a escrever isto, porque me inspirei e porque também quero ser aquela peça diferente, que sai meio torta e feia da máquina e que se vende a um preço incrivelmente injusto num freeport porque vem com defeito, como se fosse crime sair da mãe, sair da linha, sermos a vaca púrpura deste mundo.
E aqui fica:
Apreciadora de citações, como eu, a Bia disse que tinha "lido num sítio qualquer" que "nós somos as conversas que temos, as pessoas que conhecemos, os sitios que vemos" e eu achei inspirador. Ela acha que é verdade e segue este lema de vida. Eu cá me pergunto com que pessoas se cruza ela, porque a Bia é aquela peça de uma colecção standart que sai meio torta, meio diferente. É única.
Se somos as pessoas que conhecemos e as conversas que temos e os sítios que vemos isso explicará muita coisa da vida. Provavelmente explica porque é que eu nunca estou calada---já tive muitas conversas---ou porque é que, ainda assim, me sei calar no momento certo e apreciar Lisboa a desembocar no Tejo. Gosto de sítios únicos e inspiradores. Tão inspiradores como a citação da Bia.
Hoje acordei e ela fez uma descoberta, descobriu qual o "sitio qualquer" onde tinha visto a frase e passou-me o paragrafo todo para eu ler. É por isso que estou a escrever isto, porque me inspirei e porque também quero ser aquela peça diferente, que sai meio torta e feia da máquina e que se vende a um preço incrivelmente injusto num freeport porque vem com defeito, como se fosse crime sair da mãe, sair da linha, sermos a vaca púrpura deste mundo.
E aqui fica:
"You are the books you read, the films you watch, the music you listen to, the people you meet, the dreams you have, the conversations you engage in. You are what you take from these. You are the sound of the ocean, the breath of fresh air, the brightest light in the darkest corner. You are a collective of every experience you have had in your life. You are every single day. So drown yourself in a sea of knowledge and existence. Let the words run through your veins and let colors fill your mind"
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